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Afinal, o que está acontecendo em Porto Rico? Entenda a crise política que enfrenta o país do Reggaeton!

Por Gabriel Iwood

Nas últimas semanas, o berço do Reggaeton está passando por seu período político mais agitado, em décadas. Uma enorme greve tomou conta da ilha, que deixou de receber os tradicionais cruzeiros e não abriu as portas de seus principais centros comerciais, para que as pessoas pudessem sair às ruas a fim de protestar. Artistas internacionais como Daddy Yankee, Ricky Martin, Bad Bunny e Residente (ex-Calle 13) estiveram presentes nas manifestações pedindo a renúncia do governador de Porto Rico, Ricardo Rosselló. Mas, afinal, o que está acontecendo na Ilha do Encanto?

Joe Raedle (AFP)
Bom, para entender essa crise, primeiro é necessário saber que Porto Rico não é um país independente. Com seus 3 milhões de habitantes (população do Piauí), em uma ilha do tamanho da capital do Acre, Rio Branco, a terra natal da maioria dos reggaetoneiros famosos é território estadunidense. Isso pode parecer muito estranho à primeira vista, já que nosso país teve sua independência há quase 200 anos.

Por lá, também é esquisito para muita gente. Tanto que esse é o ponto central da maioria das discussões políticas do país. Existem, então, aqueles que apoiam a anexação definitiva da ilha ao território dos Estados Unidos, transformando-a em um estado da federação, como Texas, Califórnia ou Flórida (postura conservadora, portanto, de direita). Há também quem acredite que o país deva permanecer como um estado associado, mantendo sua independência dos norte americanos, mas com uma relação de suporte do país (defendida pelo centro). E, por fim, existem aqueles que acham que Porto Rico deva ter sua independência, transformando-se em uma nação soberana, como o Brasil, França e qualquer outro país que vier a sua mente (essa é a esquerda, por lá).

Joe Raedle (AFP)

Compreendido isso, fica claro que a organização política porto-riquenha é bem diferente de qualquer coisa que temos aqui. O governador não é um governador de estado como o João Dória, Wilson Witzel ou Rui Costa, mas também não é presidente, como Jair Bolsonaro, para nós. É uma espécie de meio termo. Portanto, o governador Ricardo Rosselló é a autoridade máxima na ilha, embora tenha que se reportar a Donald Trump.

Vamos agora à crise, em si. No dia 13 de julho, faltando aproximadamente 200 dias para o fim do mandato de Rosselló, o Centro de Periodismo Investigativo (Centro de Jornalismo Investigativo porto-riquenho) publicou quase 900 páginas de conversas entre o governador e membros de alto escalão do governo porto-riquenho no Telegram. Sim! Acredite se quiser: uma Vaza Jato caribenha. No entanto, ao contrário do The Intercept Brasil, os jornalistas borícuas não se importaram em selecionar o que seria publicado. Ou seja, o povo porto-riquenho teve acesso à íntegra dos diálogos do governador.

Nesse conteúdo, tem de tudo. Por exemplo, conversas com empresários que estariam sendo beneficiados em licitações públicas pouco transparentes, além de declarações ofensivas às mulheres, a pessoas acima do peso, homossexuais e até uma fala entendida como ameaça de morte. O chefe de Finanças (uma espécie de secretário da Fazenda) disse a Rosselló que estaria “salivando por atirar” em uma prefeita opositora ao governo.

Erika P. Rodriguez (The New York Times)

Tudo isso vem depois de mais de uma década de recessão na economia que, sequer, dá sinais de melhora; acusações de corrupção dentro do governo Rosselló; e menos de 2 anos depois do Furacão Maria, que devastou a ilha. Esse desastre revelou, também, uma falta de organização (ou de caráter) da administração do governo, que divulgou 64 mortes decorrentes da tragédia, sendo que, mais tarde, a informação foi corrigida por um estudo da Harvard: foram, na verdade, 4.600 mortos.

Se nem todo mundo acreditava que essa informação equivocada foi dada sem querer, os diálogos da Vaza Jato caribenha puseram mais lenha nessa fogueira. Neles, existem diversas piadas sobre as vítimas do furacão, proferidas, até mesmo, pelo próprio governador.

Todos os membros das conversas renunciaram seus cargos, exceto Ricardo Rosselló, quem se limitou a pedir desculpas em um culto evangélico e, depois, em uma declaração oficial. Até mesmo o secretário de Estado, Luis Gerardo Rivera Marín, que nem figurava nos diálogos, se retirou do governo alegando “uma obrigação moral”. O povo porto-riquenho, então, se uniu nas ruas pedindo a renúncia do governador. E é aqui onde nos encontramos agora.

O governador tem se mantido firme na decisão de não renunciar. Dessa forma, existe uma segunda maneira de retirá-lo do poder: através de um impeachment. Esse processo já está acontecendo no congresso, mas é difícil dizer se ocorrerá. O partido do governo, PNP (Partido Nuevo Progresista, de direita e que defende a anexação da ilha aos EUA), está dividido, mas tem a maioria dos representantes. Então essa novela deve demorar para ser concluída.

Para tentar acelerar a queda de Rosselló, artistas porto-riquenhos somaram suas vozes ao coro do povo. Se você entrar agora no Instagram do seu reggaetoneiro borícua favorito, pode ter certeza de que haverá, no mínimo, uma publicação com a hashtag #RickyRenuncia, ou algo do tipo. Nesta semana, inclusive, o maior líder do gênero, Daddy Yankee, esteve no meio da multidão e defendeu a renúncia do governador “de forma democrática”, em entrevista a jornalistas.


Mas os mais atuantes nessa luta têm sido Residente e Bad Bunny, que, inclusive, lançaram uma tiraera a Rosselló, com a participação de iLe: "Afilando los cuchillos". O trapper foi além, paralisando sua turnê e afirmando que adiará a gravação de seu novo álbum para apoiar os protestos contra o governador. Ironicamente, Rosselló é um fã assumido do intérprete de "MIA".



Os Prémios Juventud, celebrados na última quinta-feira (18), também foram marcados por protestos por parte dos artistas borícuas. Farruko, Anuel AA, DJ LuianMambo Kingz, entre outros, deixaram seu pedido pela renúncia de Rosselló no palco.


Se o governador deixará seu cargo, é uma incógnita. A única certeza é que, se depender da força da voz dos artistas, o povo porto-riquenho terá energia de sobra para protestar.

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